Não nos iludamos. Essa história segundo a qual “o mundo seria melhor se cada um cuidasse da própria vida e deixasse a do outro para lá”, minha gente, não passa de uma frase de efeito velha, superficial e boboca. Fosse assim, tão simples, seria bom. Mas não é.

A premissa é correta. É isso mesmo. Cada um de nós que assuma suas próprias questões e não atrapalhe as dos outros. Mas tem gente pervertendo esse princípio faz tempo. Tem, sim. Gente exagerando, distorcendo. Tem gente aí achando que cuidar da própria vida é dar as costas ao outro, ser indiferente, onipotente, irrefutável e até torcer para que o resto se escafeda. Sim, há quem entenda “cuidar da própria vida” simplesmente como “os outros que se danem!”.

Acontece que ninguém precisa se danar para que a minha vida seja boa. Para que você e eu sejamos felizes, ninguém precisa ser infeliz. Para que nos sobre o que queremos, não é preciso faltar a ninguém. Tem pra todo mundo!

Os gênios egocêntricos que compraram a verdade vão me desculpar, mas é certo que nós só chegamos até aqui, é óbvio que só sobrevivemos às pragas e guerras e pandemias e outros perrengues porque, em certas horas, cuidamos uns dos outros, sim!

Se cada um de nós tratasse tão somente de sua própria vida e o outro que se danasse, o mundo já teria acabado. É que tratar o outro como a razão de todos os nossos males é uma bruta burrice, sabe? Porque “o outro” também somos nós. Assumamos!

“O outro que se dane”, né? Muito bem. Só tem um detalhe: se isso acontecer mesmo, se todo aquele que seja “o outro” se danar, quem é que sobra? Em que momento dessa loucura toda o ser humano esqueceu de que é um animal gregário, comunitário, coletivo, alguém que vive pelo outro, com o outro, para o outro?

Somos sete bilhões de pessoas no planeta. E se todo mundo inventar de agir feito uma besta autocentrada, a cada vez que você disser “o outro que se dane”, seis bilhões, novecentos e noventa e nove milhões, novecentos e noventa e nove mil e novecentas e noventa e nove pessoas vão desejar que VOCÊ se dane também. Porque você também é “o outro”.

Sei lá, eu só acho que a gente devia cuidar uns dos outros, sim. Um tiquinho, só. Você e eu deveríamos torcer um pouquinho mais um pelo outro. Não simplesmente dar as costas para o mundo e sobreviver no “cada um por si”.

Cuidar de si mesmo de forma a não atrapalhar o vizinho e, quem sabe, ajudá-lo. Por que não? Já tem pessoas fazendo isso aqui e ali. Tem, sim. Repare. Gente que ajuda quem precisar sem invadir, importunar, aborrecer. Gente que se faz saber estar ali para quando preciso mas não precisa chamar a atenção de ninguém.

Nesse caso não é intromissão, bisbilhotice, pitaco. É só questão de sobrevivência. Quem sabe uma hora a gente aprende? Sem querer me meter na sua vida, eu acho que você também devia pensar nisso. Ahh… devia, sim.

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Jornalista e publicitário pós-graduado em Gestão Estratégica da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo – ECA-USP. Com 20 anos de experiência profissional, produziu conteúdo editorial e publicitário para inúmeros clientes em diversos segmentos. Tem seis livros publicados, é redator em agência de propaganda e professor da Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação – ESAMC em Sorocaba. No primeiro semestre de 2014, lançou o seu primeiro livro infantil e tem cinco títulos no catálogo da Editora Nova Alexandria.

Para conhecer seus livros, visite o site.

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