Olhe em volta, para cima, para baixo. Feche os olhos, espie o que passa aí dentro. Solte o olhar e deixe a vista passear lá fora, como um cachorro sem coleira que dispara em direção do nada, eufórico, embriagado de liberdade, feliz da vida. Mire para frente, para trás, para um lado e para o outro. Em todo canto, a todo tempo há o que pode nos tornar piores e o que há de nos fazer melhores.

O caminho anda cheio do que pode piorar tudo. Tombos que nos roubam a coragem de andar, tropeços que nos paralisam, desencontros que nos tornam perdidos, sem rumo, sem sono nem sonho. Se deixar, cada tombo que a gente leva nos leva embora um pouquinho, mais do que nos mantém de pé.

Por aí não falta o que tem tudo para nos tornar piores. Se a gente deixa, a gente piora. Se a gente cuida, a gente melhora. O mesmo tropeção que me arrebenta as unhas me leva dois, três passos à frente. A mesma rasteira que me derruba me acende um ímpeto furioso de apoiar a mão no chão e me jogar para cima, defender a mim mesmo e a minha gente de quem nos ataca. Proteger a nossa paz e a nossa casa, lutar sem medo contra o mal que nos espreita. Melhorar o nosso jeito de andar na vida.

É aí que o amor revela sua cara linda, forte, angulosa. Esse amor que nem sempre chega sorrindo mas que só existe para melhorar a gente. O amor é o que nos faz melhores, nunca piores. É o que nos fortalece, jamais nos enfraquece.

Amar nos transforma em bichos firmes, corretos, bondosos. A insegurança, a mesquinharia e o ciúme rastejam em outro terreno. O amor é tudo o que nos faz melhores. O resto é apego, posse, vaidade, conversa errada.

O sujeito que ama se importa com o ser amado tanto quanto consigo mesmo. Quer dar jeito no mundo como quem se aplica a pintar a casa. Sem perceber, envolve-se em causas alheias, desenvolve o hábito das atitudes gentis. No duro, o amor é tudo o que aprimora a gente. O resto é conversa mole.

Quem sente amor vive disposto para o trabalho, seja o peso de levantar uma casa, a leveza de assoprar um joelho esfolado ou o desprendimento de soltar o corpo e a alma na preguiça do sofá num amorzinho bom, melhorando em seu tempo como um bolo gostoso que cresce no forno da vida.

E ainda que estejamos sós, um sentimento bom de que estamos entre amigos há de nos acolher e abraçar. É o amor que mora no coração de cada um. Esse amor que é a bondade da gente, o abrigo firme na chuva de canivete, a razão de ser, a impressão de que toda aporrinhação vale a pena. Amor que é o lugar onde se mora, de onde se sai e para onde se volta, onde quer que a gente esteja. O amor que melhora o mundo e os que ainda restam, teimosa e amorosamente, vivos. Porque amar, minha gente, amar ainda é o jeito mais bonito de estar na vida.

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Jornalista e publicitário pós-graduado em Gestão Estratégica da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo – ECA-USP. Com 20 anos de experiência profissional, produziu conteúdo editorial e publicitário para inúmeros clientes em diversos segmentos. Tem seis livros publicados, é redator em agência de propaganda e professor da Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação – ESAMC em Sorocaba. No primeiro semestre de 2014, lançou o seu primeiro livro infantil e tem cinco títulos no catálogo da Editora Nova Alexandria.

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