“Não tinha a força do Vermelho, nem a imensidão do Amarelo, nem a paz que tem o Azul. Era apenas o frágil, feio e aflito Flicts”

Tudo tem cor. O mundo é feito de cores, mas nenhuma é Flicts. Uma cor rara, frágil, triste, que procurou em vão um amigo entre outras cores, que não encontrou um lugar para ficar. Abandonada, Flicts olhou para longe, para o alto, e subiu, para finalmente encontrar-se.

Faço uso das palavras de Ziraldo, que com Flicts iniciou sua trajetória na literatura infantil, para tentar explicar o que aprendo na convivência diária com artistas das mais variadas áreas. Meu trabalho de produção cultural e o encantamento com as cores, foi o que me guiou até aqui.

Desvendar a alma do artista e conhecer a força que o move, talvez seja o grande desafio daqueles que se dispõe a trabalhar com cultura. Como uma cor que não se encaixa nas bandeiras ou no arco-íris, o artista tem linguagem própria e reconhece seus pares. Vestidos com encantamento e sabedoria, seu olhar não é de quem enxerga o que vê. Artista enxerga o que sente. O seu saber mais puro e verdadeiro, não está nos livros e sim registrado em um pulsar ligeiro de corações em sintonia com o belo e com o simples.

Assim como Flicts que encontra seu lugar na Lua, penso que é lá onde repousam as mentes dos artistas. Nesse espaço onde experimentos, práticas, luzes e sons tomam conta dos seus dias e noites, só é permito a entrada daqueles que compartilham da sua essência.

Caminhando em passos mais lentos que a grande maioria, permitindo pausas nesses giros da vida, esse coletivo de gente que sente, segue na contramão da descrença e da falta de amor. Sua direção, por vezes solitária, é movida pelo vento dos sonhos. Ser artista é ser livre e desprendido de convenções que limitam e engessam os processos criativos do seu espírito.

Artista não escreve, transmite. Artista não dança, voa. Artista não desenha, sonha. Artista não interpreta, é.

Ao longo de seis anos de trabalho, observação e pesquisa, conheci e reconheci artistas que me inspiraram enquanto criança, que me surpreenderam enquanto profissional e que me fazem cada vez mais acreditar que cultura se escreve com amor.

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Jornalista e gestora cultural com especialização em marketing, comunicação digital e práticas dirigidas a elaboração de projetos de incentivo e fomento a arte em suas mais diversas manifestações. É diretora da Montenegro Produções Culturais, com sede em Curitiba, e da Guanabara Produções Culturais, como extensora dos projetos de arte para outros Estados do Brasil. Recentemente, produziu três edições do Festival de Teatro Infantil de Curitiba, quatro edições do Festival No Improviso Jazz & Blues, a série de encontros Conversarte, exposições artísticas, oficinas culturais, seminários de sustentabilidade e outros.

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